São curiosos os contornos da distinção entre o campo e a cidade...mas são as fronteiras dos sentidos que marcam a diferença.
Moro, rodeada de campo mas, na maioria das vezes, esqueço-me que estou no campo.
Uma ida de fim de semana para fora de Lisboa, curiosamente para uma vila desenhada de raiz (Stº André) a pretexto do complexo industrial de Sines, fez-me sentir verdadeiramente no campo.
Porque estar no campo não são só cheiros e explosões, vegetais e animais, de Primavera.
Para me sentir no campo preciso de deixar escorregar o tempo, de fazer coisas que não costumo, de me sentir mais próxima do meu ritmo biológico, de pensar sobre as pessoas e as coisas, de dormir e comer bem, de rir e conversar muito...aí sim, com campo ou sem campo, sinto-me no campo.
Este é um «campo» metafórico (que, ás vezes, coincide com o real) onde a possibilidade de construir momentos felizes, se amplia. Se, pelo caminho, colher pedras, pinhas e rosmaninho, tanto melhor.
Viva o campo!
Este é um «campo» onde se misturam cheiros... de horta-jardim, de amor à vida, de defesa eco biológica, dos prazeres, talentos e gostos, da amizade, das recordações e de tanto mais... Misturam-se cheiros e sentidos...
segunda-feira, 6 de abril de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
renovar a vida
Depois de um Inverno clásssico, os perfumes da Primavera começaram a invadir o ar e os nossos sentidos. Comecei a senti-los à cerca de um mês atrás, muito antes da estação oficial que se inicia hoje. Lembro que a primeira vez que os senti foi perto do trabalho, de manhã, numa zona que tem Jacarandás - e cheiram muito bem, ainda sem flor. Depois na cidade de Lisboa, em certos sítios, mais tarde na Comporta, na minha rua, por aí...aquele cheiro intenso e doce que se renova todos os anos.
Este estímulo olfactivo e esta renovação são parte da minha identidade.
Este estímulo olfactivo e esta renovação são parte da minha identidade.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Os campos das tormentas
Existem fases e momentos de vida onde as tormentas se instalam.
Sabemos que vão passar. Mas enquanto duram...
Sabemos que vão passar. Mas enquanto duram...
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Os cheiros do Natal
Não sei se gosto dos cheiros do Natal... Ou melhor, gosto e não gosto (antes os parodoxos que as indecisões!)
Gosto do cheiro a lareira e a fritos, acabados de passar por acúcar e canela; gosto de cheiro das castanhas num anoitecer muito frio; gosto de cheiro a pinheiro; gosto do cheiro a novo de muitas prendas (sobretudo se forem livros); gosto de cheiro a terra molhada (quando ao fim de três dias de clausura em família, finalmente saímos); gosto da alegria dos mais velhos e das crianças, com presentes de amor e atenção; assim, de repende, não me lembro de mais.
Não gosto da comezaina destes dias; detesto centros comerciais e grandes superfícies com muita iluminação e muita músiva alusiva; não gosto do cheiro do dinheiro (mesmo quando desaparece); não gosto do cheiro dos sem-abrigo (que nesta época servem para os com-abrigo aliviarem as dores da alma e comprarem o céu às prestações); não gosto de comprar por obrigação; não gosto de oferecer porque estamos na época; não gosto da hegemonia das «festas da família» ; e, bom, a lista continuaria se o tempo não faltasse.
Gosto do cheiro a chá quente, cheirado com a chávena entre as maõs. Todo o ano.
Gosto do cheiro a lareira e a fritos, acabados de passar por acúcar e canela; gosto de cheiro das castanhas num anoitecer muito frio; gosto de cheiro a pinheiro; gosto do cheiro a novo de muitas prendas (sobretudo se forem livros); gosto de cheiro a terra molhada (quando ao fim de três dias de clausura em família, finalmente saímos); gosto da alegria dos mais velhos e das crianças, com presentes de amor e atenção; assim, de repende, não me lembro de mais.
Não gosto da comezaina destes dias; detesto centros comerciais e grandes superfícies com muita iluminação e muita músiva alusiva; não gosto do cheiro do dinheiro (mesmo quando desaparece); não gosto do cheiro dos sem-abrigo (que nesta época servem para os com-abrigo aliviarem as dores da alma e comprarem o céu às prestações); não gosto de comprar por obrigação; não gosto de oferecer porque estamos na época; não gosto da hegemonia das «festas da família» ; e, bom, a lista continuaria se o tempo não faltasse.
Gosto do cheiro a chá quente, cheirado com a chávena entre as maõs. Todo o ano.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Hoje começa a cheirar a férias
A que cheiram as férias?
Sobretudo a cheiros natureza: a marezia, a restolho, a terra quente, a água, muita água...a coentros na comida, a papel e a cremes de corpo (porque a idade não perdoa).
Mas sobretudo férias cheiram a descanso, a encontro comigo mesma, a evasão...
Sobretudo a cheiros natureza: a marezia, a restolho, a terra quente, a água, muita água...a coentros na comida, a papel e a cremes de corpo (porque a idade não perdoa).
Mas sobretudo férias cheiram a descanso, a encontro comigo mesma, a evasão...
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